ACORDO TRIPARTIDO PSD-CDS-PS OU … A
QUADRATURA DO TRIÂNGULO
por L. Borges
A “Salvação Nacional” é possível? Em que consiste? De acordo com o
presidente da República consiste no entendimento suprapartidário entre os três
partidos do chamado “arco do poder” – PSD, CDS e PS. O primeiro ganhou as
eleições, o segundo teve menos votos que o PCP e o terceiro, apesar de ter tido
mais votos que o segundo, perdeu as eleições para o primeiro. O Primeiro e o
segundo formam uma maioria estável no parlamento, que se foi tornando sofrível,
ciclicamente, à medida que as medidas de austeridade impostas pela TROIKA provocavam ondas de choque de impopularidade
de norte a sul do país. Processo que começou com a TSU e culminou na
irrevogável decisão do ministro dos negócios estrangeiros de abandonar o
governo.
De acordo com o presidente, a “Salvação Nacional” ocorrerá se os três
partidos conseguirem convergir relativamente a três pilares. Três vértices de
um triângulo consensual, a saber.
Primeiro vértice: a data das eleições antecipadas. Estas só poderão
ocorrer no fim do programa de assistência, em Julho de 2014. Leia-se: trata-se
de evitar a todo o custo a simultaneidade das eleições autárquicas e das
eleições legislativas. Objectivo duplo: prender CDS e, sobretudo, PS a medidas
muito impopulares; salvar PSD de descalabro eleitoral. Argumento: obstar à “instabilidade”
política e económica durante o fim das últimas avaliações e financiamento
europeus…
Segundo vértice: o apoio dos 3
partidos às medidas “necessárias” ao regresso tranquilo do país aos mercados,
no início de 2014. Objectivo: prender CDS e PS ao corte de vários milhões e
tudo o que isso implica de medidas impopulares (leia-se cortes e respectivos
despedimentos). Argumento: estes 3 partidos assinaram o acordo da TROIKA em
2011. Dois, alegremente – PSD e CDS. Outro, tristemente – PS, acabava de ser
alvo de uma moção de censura. Recorde-se: o programa de governo revia-se na
expressão “ir para além da TROIKA”, mais tarde reformulado para afinal o
memorando tinha sido “mal desenhado”. Daqui, talvez a necessidade de ir para
além dele…
Terceiro vértice: assegurar a governabilidade, a sustentabilidade da
dívida pública, o controlo das contas externas e, finalmente, em derradeiro
lugar, melhorar a competitividade da economia e a criação de emprego. Ou seja, conciliar a austeridade com o
crescimento económico, estancar a sangria do desemprego e assegurar a criação
de emprego. Objectivo: agradar a gregos e a troianos, ou seja, a portugueses e a
europeus, leia-se, a alemães. Inverter o ciclo económico, recessivo. Começar a
crescer. Argumento: a inversão de ciclo prova a benignidade do programa. Unindo
os 3 partidos a este princípio, as consequências boas ou más cairão também
sobre os 3 e não apenas sobre 2.
A cena política portuguesa assemelha-se, cada vez mais a um cartoon. Na
sua versão benigna. Na sua versão maligna assemelha-se a um quebra-cabeças
geométrico que é possível desenhar, mas impossível de executar enquanto forma
de vida, verdade ou caminho: uma quadratura triangular. Um triângulo que se
inscreve num círculo vicioso de conversações, encontros, diálogos e reuniões
intermináveis entre “inimigos de estimação”. PSD; CDS e PS quais cão, gato e rato,
entregues a jogos de toca e foge, a jogos do mata
nos jardins de Belém. Enquanto isso, o derradeiro dos pontos do último
pilar do acordo de “Salvação Nacional” – a economia - vai-se afundando em
círculos e círculos concêntricos e “discêntricos”, numa espiral, sem fim à
vista.
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