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terça-feira, 16 de julho de 2013

ACORDO TRIPARTIDO PSD-CDS-PS OU … A QUADRATURA DO TRIÂNGULO

por L. Borges

    A “Salvação Nacional” é possível? Em que consiste? De acordo com o presidente da República consiste no entendimento suprapartidário entre os três partidos do chamado “arco do poder” – PSD, CDS e PS. O primeiro ganhou as eleições, o segundo teve menos votos que o PCP e o terceiro, apesar de ter tido mais votos que o segundo, perdeu as eleições para o primeiro. O Primeiro e o segundo formam uma maioria estável no parlamento, que se foi tornando sofrível, ciclicamente, à medida que as medidas de austeridade impostas pela TROIKA  provocavam ondas de choque de impopularidade de norte a sul do país. Processo que começou com a TSU e culminou na irrevogável decisão do ministro dos negócios estrangeiros de abandonar o governo.
   De acordo com o presidente, a “Salvação Nacional” ocorrerá se os três partidos conseguirem convergir relativamente a três pilares. Três vértices de um triângulo consensual, a saber.
   Primeiro vértice: a data das eleições antecipadas. Estas só poderão ocorrer no fim do programa de assistência, em Julho de 2014. Leia-se: trata-se de evitar a todo o custo a simultaneidade das eleições autárquicas e das eleições legislativas. Objectivo duplo: prender CDS e, sobretudo, PS a medidas muito impopulares; salvar PSD de descalabro eleitoral. Argumento: obstar à “instabilidade” política e económica durante o fim das últimas avaliações e financiamento europeus…
   Segundo vértice:  o apoio dos 3 partidos às medidas “necessárias” ao regresso tranquilo do país aos mercados, no início de 2014. Objectivo: prender CDS e PS ao corte de vários milhões e tudo o que isso implica de medidas impopulares (leia-se cortes e respectivos despedimentos). Argumento: estes 3 partidos assinaram o acordo da TROIKA em 2011. Dois, alegremente – PSD e CDS. Outro, tristemente – PS, acabava de ser alvo de uma moção de censura. Recorde-se: o programa de governo revia-se na expressão “ir para além da TROIKA”, mais tarde reformulado para afinal o memorando tinha sido “mal desenhado”. Daqui, talvez a necessidade de ir para além dele…
   Terceiro vértice: assegurar a governabilidade, a sustentabilidade da dívida pública, o controlo das contas externas e, finalmente, em derradeiro lugar, melhorar a competitividade da economia e a criação de emprego.  Ou seja, conciliar a austeridade com o crescimento económico, estancar a sangria do desemprego e assegurar a criação de emprego. Objectivo: agradar a gregos e a troianos, ou seja, a portugueses e a europeus, leia-se, a alemães. Inverter o ciclo económico, recessivo. Começar a crescer. Argumento: a inversão de ciclo prova a benignidade do programa. Unindo os 3 partidos a este princípio, as consequências boas ou más cairão também sobre os 3 e não apenas sobre 2.
   A cena política portuguesa assemelha-se, cada vez mais a um cartoon. Na sua versão benigna. Na sua versão maligna assemelha-se a um quebra-cabeças geométrico que é possível desenhar, mas impossível de executar enquanto forma de vida, verdade ou caminho: uma quadratura triangular. Um triângulo que se inscreve num círculo vicioso de conversações, encontros, diálogos e reuniões intermináveis entre “inimigos de estimação”.  PSD; CDS e PS quais cão, gato e rato, entregues a jogos de toca e foge, a jogos  do mata  nos jardins de Belém. Enquanto isso, o derradeiro dos pontos do último pilar do acordo de “Salvação Nacional” – a economia - vai-se afundando em círculos e círculos concêntricos e “discêntricos”, numa espiral, sem fim à vista.


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